Photo 24 Jul De “Os Cus de Judas” por António Lobo Antunes.

De “Os Cus de Judas” por António Lobo Antunes.

Photo 24 Jul 1 note De “O Estrangeiro” por Albert Camus.

De “O Estrangeiro” por Albert Camus.

Text 24 Jul "Os Cus de Judas" por António Lobo Antunes

“Caralho caralho caralho caralho caralho” são as palavras frequentemente repetidas pelo protagonista sem nome, assim mesmo, sem pontuação alguma, e faltam-me palavras melhores para descrever o turbilhão de emoções que é o livro.

O livro começa em um zoológico, e, a partir daí, passa a ser um grande “vai e vem” desordenado entre a Lisboa salazarista e os cus de Judas, a Angola em guerra. Devo dizer que gosto desta desordem do Lobo Antunes, pois se estrutura como uma memória, seguindo uma espécie de livre associação à qual, agora, depois de ler Virginia Woolf, o “Memória de Elefante”, e o “Naked Lunch”, estou bem melhor habituado.

Devo dizer que, apesar da não linearidade da narrativa, ela me dá um sentimento de algo orgânico, mesmo sem algumas vírgulas e os acentos circunflexos trocados por agudos. O que mais me agrada, e, em minha opinião, distingue a obra do António é o que ele fala de tudo sem grandes pudores: é chulo, fala abertamente do seu alcoolismo, do sexo e da masturbação, ora de maneiras explícitas, ora como parte de suas elaboradas metáforas. Isto tudo intercalado com o seu sentimento de melancolia e desesperança deixado pela guerra.

Os retratos da guerra são violentos, explícitos, e mostram como, no front, as pessoas que lutam são um bando de estranhos, indiferentes entre si, que só querem o fim da guerra para, enfim, voltar às suas casas. Apesar disso, quando o protagonista volta a Lisboa, sente-se estrangeiro, com marcas profundas da guerra deixadas em seu psicológico e, principalmente, nas relações interpessoais com suas mulheres.

Sobretudo, o que acontece com o psicológico do protagonista é o resultado de ir perdendo várias pequenas coisas desde a infância, os seus problemas de afetividade na vida adulta. Isto culmina na sua perda de identidade no pós-guerra já que, nos dois anos na Angola, ele havia se tornado em um completo antissocial, afastado dos seus amigos e familiares.

Enfim, o que o protagonista sente em “Os Cus de Judas” é o que se sente a respeito de todas as pequenas disparidades que enfrentamos na vida entre nós e os outros, a arritmia, a falta de uma conexão satisfatória, que, quando explorada ao nível do livro pela guerra, toma proporções catastróficas.

Photo 23 Jul De “Os Cus de Judas” por António Lobo Antunes.

De “Os Cus de Judas” por António Lobo Antunes.

Quote 23 Jul 1 note
It is not time or opportunity that is to determine intimacy;—it is disposition alone. Seven years would be insufficient to make some people acquainted with each other, and seven days are more than enough for others.
— Sense and Sensibility, Jane Austen.
Text 22 Jul 1 note A Elegância do Ouriço - Muriel Barbery

Eu peguei este livro em meio a alguns que estavam na casa da minha avó antes de irem pra doação. A capa tinha uma foto de Paris e a contracapa não falava muito da história em si, só dizia que tinha algo a ver com filosofia.

O livro intercala entre as histórias de Renée, uma concierge literata autodidata de 50 e poucos anos, e Paloma, uma adolescente de 12 anos, moradora do prédio de classe alta onde Renée trabalha, que planeja se suicidar ateando fogo em seu apartamento. Enquanto Renée conta a sua história em relatos diretos, Paloma divide as suas partes em duas categorias: “Pensamentos Profundos” e “Diários do Movimento do Mundo”, o primeiro é quase autoexplanatório, no segundo há relatos das pequenas coisas, movimentos do mundo, que ela observa em seu cotidiano, eu tive certa predileção por estes últimos, que são mais escassos no decorrer da narrativa.

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Quote 22 Jul
Know your own happiness. You want nothing but patience- or give it a more fascinating name, call it hope.
— Sense and Sensibilty, Jane Austen.
Photo 21 Jul 3 notes De “A Elegância do Ouriço” por Muriel Barbery.

De “A Elegância do Ouriço” por Muriel Barbery.

Text 21 Jul Razão e Sensibilidade - Jane Austen

Escrito em Outubro de 2013. Contém Spoilers.

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Quote 20 Jul 4 notes
If the moon smiled, she would resemble you.
You leave the same impression
Of something beautiful, but annihilating.
— The Rival, Sylvia Plath.

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